Raça, interseccionalidade e padrões de uso de substâncias em um serviço comunitário de saúde mental
Resumen
O objetivo desta pesquisa é analisar a associação entre raça/cor, padrões de uso de substâncias psicoativas e indicadores de internação entre usuários de um serviço comunitário de saúde mental especializado em álcool e outras drogas, a partir de uma perspectiva interseccional no contexto do cuidado psicossocial. Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal, baseado na análise de prontuários de usuários atendidos em um Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPS-ad) da região Sudeste do Brasil. Foram incluídos usuários com pelo menos uma consulta registrada entre janeiro e dezembro de 2024, totalizando 92 indivíduos, dos quais 87 possuíam informações válidas sobre raça/cor. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, padrões de uso de substâncias e indicadores de internação, incluindo número de internações, reinternações e tempo de internação. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e interpretados sob uma perspectiva interseccional. Os resultados indicam que, entre os 87 usuários com informações sobre raça/cor, 66,7% eram negros ou pardos. O uso de múltiplas substâncias foi mais frequente entre os negros (60,0%). Entre as hospitalizações registradas, o crack foi mais frequentemente associado ao uso de múltiplas substâncias, especialmente entre indivíduos negros (87,8%). Os resultados sugerem que raça/cor é um marcador relevante para as diferenças observadas nos padrões de uso de substâncias e nos indicadores de hospitalização, destacando a necessidade de estratégias de cuidado psicossocial culturalmente sensíveis, antirracistas e equitativas.
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